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  Coleção Linhares

Um longo caminho foi percorrido para se chegar à criação da Coleção Linhares Digital (CLD). Um olhar sobre esse caminho está refletido no estudo crítico e nota biográfica de autoria da Professora Maria Céres P. S. Castro , o qual constitui, sem sombra de dúvida, a primeira etapa do caminho a ser percorrido pelo leitor da Biblioteca Digital Linhares. É nesse estudo que nos concentramos a seguir.

A CLD tem as suas raízes no final do século XIX, quando o jovem Joaquim Nabuco Linhares descobre o seu interesse pela imprensa e começa a formar uma coleção das publicações periódicas - jornais e revistas, de natureza “efêmera ou permanente”, “artesanal ou amadora” – que eram publicadas em Belo Horizonte.

Linhares nasceu em Ouro Preto em 1880, e se transferiu para Belo Horizonte quando da mudança da capital. Desde então, se lançou à tarefa de coletar exemplares de jornais e revistas que surgiram e desapareceram durante o tempo em que residiu na cidade. À medida que reunia as publicações, Linhares se dedicava cuidadosamente à catalogação do material recolhido, descrevendo a sua natureza, formato, propriedade, periodicidade, redação e duração. Assim, Linhares não se limita ao desejo de colecionar o "objeto de sua paixão" e produz a sua monografia, reunindo 839 resenhas de títulos que circularam em Belo Horizonte no período de 1895 a 1954. O material reunido é considerado de “inusitada importância para a memória da cidade e sua imprensa.”

Castro (1995) (*) associa o hábito de colecionar de Linhares à sua personalidade metódica e senso de organização:

“Assim que tomava conhecimento de uma nova publicação de Belo Horizonte, Linhares corria à sede e procurava obter pelo menos um primeiro número. Solicitava aos amigos informações sobre os jornais e revistas e, pacientemente, com sua letra de amanuense ia registrando os dados que constam de sua monografia.”

A autora percebe em Linhares a figura do cronista, tal como compreendida por por Walter Benjamin, mas, ressalta, “em dupla medida”. Se, de um lado, diz Castro, Linhares recolhe todo tipo de publicação “sem desprezar qualquer uma, seja pela sua efemeridade, seja por qualquer outra característica que lhe seja atribuída”, por outro lado, ele não se contenta apenas com a coleção. Pois, detém-se em cada publicação, extrai as informações para elaborar a sua resenha, chegando, por vezes, a pormenores, que a distinguem de todo o conjunto existente.

Para explicar a riqueza de conteúdo das publicações colecionadas por Linhares, o texto de Castro nos conduz à "febril atividade de construção" da nova capital, no final do século XIX. A "cidade dos papudos", a "cidade racionalista", a "cidade do trabalho", passa a atrair uma população diversificada, condensando, então, "múltiplas imagens, em que desejos e interesses, realidades e fantasias, se misturam em amálgamas ainda indistintos e indiferenciados".

São justamente essas as condições que a autora reconhece como necessárias para que os ocupantes do novo espaço busquem meios para produzir a identidade de cada grupo. O meio impresso, então escolhido como forma de comunicação, ora vai agregar as pessoas dispersas no conjunto urbano, ora vai servir de forma de apresentação de um grupo ou categoria social no contexto mais amplo da cidade, refletindo uma multiplicidade de formas, temas, destinação e objetivos. Assim,

"Há jornais de natureza política; aparecem os chamados noticiosos, precursores da imprensa moderna de nossos dias; surgem os literários e culturais, os humorísticos, os associativos, os esportivos, os de operários, de italianos, de árabes, de alemães; folhas católicas, protestantes, maçônicas, espíritas; os boletins e revistas estudantis e universitários; jornais de blocos carnavalescos; panfletos de reclames publicitários, enfim, uma multiplicidade e formas e de temáticas, a construir imagens distintas da cidade e de seu cotidiano." (Castro, 1995, p. 25)

Muitos, são "folhas ao vento", "efêmeras, dispersas, modestas, artesanais"; outros, já dão sinais de pretender a permanência, a duração.

A coleção de Linhares foi adquirida de sua família, a preço simbólico, pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 1976, passando a ser denominada "Coleção Linhares". Desde então, o acervo permaneceu sob a guarda da Biblioteca Universitária, estando disponível para consulta da comunidade universitária e do público em geral.


Santos, Vilma Moreira, Coord. Projeto Criação da Biblioteca Digital Linhares – Fase 1: Relatório final. Belo Horizonte, 2005.

(*) Castro, Maria Céres P. S. de. Estudo crítico e nota biográfica. In: Linhares, Joaquim Nabuco. Itinerário da imprensa de Belo Horizonte: 1895 – 1954. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais; Editora UFMG, 1995.

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